As Virtudes, a Moral e a Educação

 

UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

LICENCIATURA EM FILOSOFIA

ALUNO: PATRICIA VOLPE (DRT: xxxx-xx)

AULA: Ética – Sintetize – Faça a atividade proposta na página 79 do livro, sobre a posição e o papel das virtudes no contexto atual do lugar onde você vive considerando as quatro questões levantadas e concluindo com sua opinião filosófica. Livro trabalhado:

  • POLESI, R. Ética antiga e medieval. Curitiba: Intersaberes, 2014 | Biblioteca Virtual Universitária — Pearson.

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  • AS VIRTUDES CONHECIDAS HOJE, SÃO AS MESMAS DESCRITAS POR ARISTÓTELES?

 

Em essência sim, mas não mais as doze instâncias. Aristóteles foi o primeiro que tentou sistematizar a ética, afirmando que a ética é a tentativa de estabelecer comportamentos e hábitos que se tornem uma segunda natureza nossa, nos ajudando no convivo político e coletivo. Porém, há a sugestão das mesmas antes dele, e um “aprimoramento” delas após o pensador citado.

No contexto bíblico não existem palavras isoladas com significado definido de moral e nem de ética, havendo, entretanto, palavras que remetem a um significado de “obrigação moral”, assim como no hebraico que há uma única palavra para definir os dois termos pela qual observa-se uma raiz identificada também na composição da palavra bíblica. Essa raiz é definida por Antoine Fabre D´Olivet com significado de “linha circunferencial entrando nela mesma em direção ao centro”, o que forma na nossa mente a imagem de uma linha espiral em movimento, em direção ao centro, permitindo-nos uma associação com o movimento sistólico do coração, que ao mesmo tempo em que é contrátil em relação a si mesmo, há o elemento expansivo em relação ao sangue que é expulso do coração levando em sua corrente todos os elementos geradores e mantenedores de vida no corpo humano.

As virtudes também são encontradas no poema épico de Prudêncio: Psychomachia (Batalha da Alma), onde é apresentada a batalha entre as virtudes e os vícios. A grande popularidade deste trabalho na Idade Média ajudou a espalhar o conceito pela Europa como uma prática que protegeria a pessoa contra as tentações dos pecados, pois cada um possui sua respectiva contraparte, e, é importante também considerar que existem duas variações distintas das virtudes, reconhecidas por diferentes grupos.

Antes de se adentrar ao campo das virtudes propriamente ditas, examinemos o setenário sob o ponto de vista da escola pitagórica, que reconhece dez leis ligadas à Tetractys, a Década Sagrada, Mãe de todas as coisas porque seria do Dez, das dez leis, que todas as coisas são geradas e dão surgimento. A sétima lei refere-se à Lei de Evolução Cósmica, que esclarece que aquilo que um ser é, atualmente em sua forma, não é tudo o que ele é em sua virtualidade. Assim, as manifestações no Cosmos conhecem evoluções que rompem o ajustamento e a ordenação anterior dos opostos (harmonia) para sofrerem saltos qualitativos e específicos. Em todas as religiões o sete é sempre símbolo dessa evolução geradora de um estado novo do ser e, portanto, essa lei seria atuante também na geração de uma sociedade mais equilibrada em todos os seus aspectos, pois as virtudes manifestadas no homem fariam brotar dele um sistema ético-moral mais conforme

Mais tarde, pode-se ter na Escolástica, as bases morais e éticas para tal geração em Tomás de Aquino, que absorve nos ensinamentos de Albertus Magnus um sofisticado sistema filosófico que ultrapassa os limites do cristianismo e adentra numa filosofia universal, utilizando-se principalmente de elementos platônicos, aristotélicos e agostinianos concluindo que, o homem dotado de virtudes pode ser entendido como moralmente pleno, significando isso o “vencer de seus próprios vícios” os quais o corrompem e levam às ações desordenadas e a criação de hábitos nocivos que corroem as bases morais da sociedade. Esse estado de plenitude do homem está ligado à sua condição original como um ser espiritual puro e isento das corrupções sugeridas pela materialidade ao seu ser pensante. Portanto, agir no sentido de reencontrar esse estado original, é análogo ao próprio movimento sistólico do coração para a geração de um estado novo de vida e sua manutenção, correspondendo com a raiz do hebraico bíblico para a “obrigatoriedade moral”, que tem ao mesmo tempo o sentido de “religar” no qual podemos entender a religação com a unidade ou estado de plenitude humana. Sendo assim, as virtudes a partir de então, foram sistematizadas em sete instâncias. São elas ordenadas em forma crescente de santidade:

Castidade

(Latim: Castitas) – Opõe-se a Luxúria.

Abraçar a moral de si próprio e alcançar pureza de pensamentos e de ações através da educação e melhorias individuais.

Caridade

(Latim: Caritas) – Opõe-se a Avareza.

Generosidade, auto sacrifício. Dar sem esperar receber ou aparecer. Abraçar o próximo como a nós mesmos.

Temperança 

(Latim: Temperantia) – Opõe-se a Gula.

Autocontrolemoderaçãojustiça, equilíbrio, prática de abstenção de excessos.

Prudência

(Latim: prudentĭa) – Opõe-se a Preguiça.

Persistência, equilíbrio de atividade, ética, decisão e objetividade.

Virtude que faz prever e procura evitar as inconveniências e os perigos, cautela, precaução.

Paciência

(Latim: patientia) – Opõe-se a Ira.

Força mas com serenidade, calma, paz. Coragem e resistência. Suportar aquilo que é quase insuportável com paciência e dignidade. Resolver pacificamente os conflitos e as injustiças, o contrário de utilizar a violência.

Bondade

(Latim: Benevolentia) – Opõe-se a Inveja.

Autossatisfação, compaixãoamizade.

Ausência de preconceito ou ressentimento. Amar sem egoísmo e ser voluntariamente bom sem rancor. Buscar sempre a intuitiva justiça essencial.

Humildade 

(Latim: Humilitas) – Opõe-se ao Orgulho.

Modéstiarespeito. Humildade não é pensar menos de si mesmo, mas pensar de si mesmo menos, e mais de si com os outros. A coragem necessária do coração para ter a fé.

  • AS VIRTUDES AINDA TÊM UM PESO DETERMINANTE EM EVENTOS SOCIAIS, PÚBLICOS E PRIVADOS?

Corrupção é a palavra em alta. Da política, dos bons costumes, da consciência. Isso tudo é reflexo do fato de não mais considerarmos virtudes como elementos importantes para a formação humana e o convívio em sociedade.

Existem hoje inúmeros tratados de éticas normativas sendo estudadas, desenvolvidas e até aplicadas, porém, nenhuma com essência tão forte, estruturada e essencialmente humana como as virtudes. Discutem-se e preocupam-se com tudo hoje em dia, como por exemplo com as problemáticas no que se referem a estrutura escolar ou mesmo a problematização sobre armamento ou desarmamento da população civil e, não reconhecem que o verdadeiro problema atual está em um eixo bem mais antigo: o ser humano! O ser humano está quebrado.

E se está quebrado, algo de muita importância deixamos de valorizar ou trabalhar nos últimos tempos. Estamos colhendo resultados de nossos últimos investimentos. Preocupados com poder, dinheiro, justiça de direitos, avanços tecnológicos, política (tudo isso também com suas importâncias, claro), esquecemos de olhar para a formação como humanos. Estamos ensinando tolerância? Estamos atentos quanto a “formação de juízo de valor” em nossos jovens? Moral, ética, afeto, educação emocional, princípios mínimos de valor a vida, virtudes… são coisas tiradas dos currículos escolares por exemplo.

  • HÁ UMA CONTRACORRENTE ATUALMENTE NO BRASIL PARA A QUAL CERTAS VIRTUDES PODEM SER RUINS PARA O INDIVÍDUO, EXPRESSA, POR EXEMPLO, NA IDEIA DE QUE SER ESPERTO É MELHOR QUE SER JUSTO OU NO DITADO “MELHOR UM COVARDE VIVO QUE UM HERÓI MORTO”?

De certo há, e isso está intrinsicamente ligado aos princípios que carregamos em nós hoje em dia pois, preferir “ser esperto a ser justo” depende do que é importante para mim como pessoa de valor. Se para mim, por exemplo, será fácil viver e conviver como um covarde. Vide exemplos atuais de jovens que se matam pautados em “melhor morrer do que ter a vida que tenho” ou “se ninguém gosta de mim, vou me matar”, e ainda levam junto aqueles que para eles, são os culpados. Ou, aqueles que tiram as vidas de outros apenas por serem diferentes de si, ou acreditarem em algo diferente do que se acredita.

Essa mistura ou troca de importâncias perdeu-se com a não formação de um juízo de valor no homem e, foi agravada com a perda de princípios ligados nessa formação não efetuada. Numa sociedade contemporânea extremamente enraizada no relativismo, a verdade virou um produto que ‘depende’, depende do ponto de vista, depende da cultura, da região, da época.

Tudo isso estende-se e atinge o corpo social, a vida cotidiana. Um exemplo disso são as decisões de consumo de uma sociedade já viciada em um estado patrimonialista. Ancoraram a felicidade no comprar, mas, o engraçado é que também são inseguros quanto ao consumo. Somos ensinados pela educação contemporânea a estudar de maneira a construirmos uma carreira de sucesso, onde o sucesso profissional acarreta o poder aquisitivo, que por sua vez, é o meio seguro de sermos felizes e plenos, mas, mesmo assim, vivemos rodeados por pessoas inseguras e infelizes em tudo.

A insegurança e a dúvida em seu sentido produtivo e gerador nos leva a análise crítica, mas o indivíduo não possuindo um conceito, um princípio valorativo ou justificação racional para essa ou aquela aquisição supérflua, por exemplo, procura a mesma em fontes de informações diversas sem se importar com sua veracidade, como na internet, por exemplo, achando uma justificativa a partir de conhecimento proposicional, que outros propagam. Com o tempo, esse conhecimento proposicional se petrifica, tornando-se um conhecimento de repetição, automático, seriado, um vício. Isso é bem claro, por exemplo, na mudança das essências comemorativas religiosas ou até mesmo culturais, para temporadas de compras.

Tudo, no decorrer do tempo histórico, tende a melhorar, evoluir, vide nossos desenvolvimentos na saúde, na comunicação, transportes, etc. Porém, deixamos para trás, nesse caminho, veias fundantes do ser humano como humano. Os valores deveriam ter evoluído, para melhor. As virtudes deveriam ter se solidificado e não esquecidas.

  • A ausência ou a depreciação dessas virtudes em nossa realidade traz consequências negativas para o bem comum, por exemplo, na criminalidade, na qualidade dos produtos industrializados, na preservação do meio ambiente, nas relações comerciais e trabalhistas, no amor material etc?

 

Acreditamos naquilo o que conhecemos, e é de se observar que a sociedade atual em sua maioria, pulou etapas significativas para a construção daquilo o que conhecem, ou, daquilo o que acreditam. Em um tempo em que ‘tudo pode’ e ‘tudo se sabe’, o conhecimento foi confundido com informação, e a quantidade de ‘informação qualquer’ banalizou a importância da análise crítica como principal consideração ao importar algo para si como verdade. Se o que sabemos, conhecemos ou acreditamos é banalizado, logo, o banal começa-nos a ser o essencial e a partir daí, passamos a não ter mais certeza de valores ou sobre o que é o melhor, o que é o correto. Perdemos a elasticidade da ética, a reflexão da tradição racional, confundiu-se a moral, as virtudes e, a formação psicológica do indivíduo truncou como resultado natural de um processo de construção da insegurança, de dependências, do paradoxo do ‘relativismo absoluto’.

A falta de valor à vida, a falta de tolerância, de solidariedade, da conscientização dos problemas do vizinho, da criança no sinal, do jovem rico depressivo, de quem passa fome, tudo isso são raízes potenciais para o desenvolvimento crescente da criminalidade e tragédias humanas. A maioria de nós esquece-se de que todos, somos irmãos em espécie, uma grande família humana e que, a Terra, é a nossa casa. Estamos destruindo-a todos os dias, direta ou indiretamente pois muitos sujam e degradam-na e outros tantos, mesmo que fazendo boas ações esporádicas em seus cotidianos, contribuem com industrias e sistemas de produção altamente poluidoras sem nem ao menos saber.

Nas relações trabalhistas e comerciais, há a soberania do lucro próprio, sem se importar com a realidade do outro: patrões e governos lesão trabalhadores que precisam do pouco salário para viver, funcionários lesão patrões achando que eles merecem, sem perceber a luta dos mesmos para ter e manter o que possuem, industrias vendem produtos alterados e prejudiciais visando o golpe lucrativo em cima da saúde alheia. Parece que vivemos em uma selva irracional.

  • Conclua o texto com sua opinião pessoal sobre o assunto.

A solução para a perigosa situação em que nos encontramos teria que nascer do próprio indivíduo para com o próximo e para consigo mesmo. Na quebra do egoísmo ético, do individualismo cego e excessivo. Na compreensão de que ajudando o outro estaremos nos ajudando, e que só no avanço coletivo haverá o progresso humano verdadeiramente. Essa conscientização pode vim de inúmeras maneiras, e, a inclusão dessa construção na educação poderia ser uma delas.

Inspirado no materialismo dialético, a abordagem do internacionalismo considera o desenvolvimento do homem como uma experiência histórica e cultural refutando as teses antagônicas que separam o inato do adquirido. Não existe um novo conhecimento sem que o organismo tenha já um conhecimento para poder assimila-lo e transforma-lo. O desenvolvimento mental se adapta a realidade. Essa é uma corrente que se deve ser mais bem explorada, pois no geral, atende mais amplamente o quadro social, econômico e cultural do homem atual. O equilíbrio entre as faculdades inteligíveis e as sensíveis.

Atualmente, foi comprovado pelas ciências biológicas que a aprendizagem precisa do desenvolvimento mental e psíquico, uma corrente neural, como base de recepção para todo e qualquer conhecimento adquirido, caso contrário, o conhecimento se limita apenas a memória temporária. E para a construção dessa base fundamental, a vivência, o contato, a experimentação com o ambiente e seus componentes a serem aprendidos é de suma importância na primeira fase humana, pois é nela que todo o sistema cognitivo do indivíduo começa a se desenvolver. Com o passar do tempo, da idade e das experiências, é de se observar claramente que ainda assim, o ambiente onde o ser humano vive influencia diretamente o que ele é, o que ele pensa e como pensa. Porém, não só de influências é construída uma mente, o ser humano em desenvolvimento nunca está passivo, e não deve, daí, a importância também em descobrir e levar em conta também, o como esse ambiente influenciou ou afetou internamente o indivíduo, e até mesmo, sua posição frente a essa influência.

A escola não forma apenas alunos, mas também contribui de maneira positiva ou negativa no processo de formação humana, que por sua vez, formam a comunidade, que formam o país, que formam o mundo, que define o futuro coletivo, que afeta o futuro individual. O que estão ensinando em nossas escolas? Citam palavras como magnanimidade, humanidade, temperança, coragem, tolerância?

Existem troféus, diplomas e discursos para bons estudantes, para bons cientistas, mas nada para as boas ações humanas. Aprender a história temporal e filosófica humana e política, os erros e acertos em seu decorrer, pode, talvez, ampliar o ‘modo de conviver social’ desde a base do sistema, a educação.

Muitos pensadores da educação seguem a perspectiva de que o homem é um “microcosmo”, e segundo essa perspectiva, a mente do homem precisa expandir e desenvolver as coisas que já traz implícitas em si e, Comenius concorda e completa: “… mas agora, depois do pecado, estando obscurecida e involuída, não é capaz de expandir-se livremente, e aqueles a quem caberia a sua libertação estão inibindo-a cada vez mais” (COMENIUS, 1592, p 60). Comenius entende que o efeito noético do pecado influenciou a capacidade humana de desenvolver conhecimento, retidão moral e a virtude, portanto, este homem precisaria da graça do Espírito Santo e da educação para readquirir sua humanidade plena, pois, segundo ele, o homem pleno só surge a partir da educação.

O Cosmos é um. Todas as coisas estão interligadas. Existe uma ordenação lógica na realidade que lhe dá uma unidade. Quando algo sai dessa unidade, da sua ordenação lógica, as coisas entram em conflito e começam a não fazer mais sentido. Qual o valor máximo que orienta a vida? Ele tem que ser uma regra lógica de compreensão do mundo e, ensinado, transmitido, pois somos seres culturais, herdamos o que somos.

Voltar a dar uma vitalidade orgânica às virtudes na construção cultural dos jovens faria possivel resgatar a moral substancial, verdadeira e unicista, que é atemporal e totalmente desvinculada do devir constante dos costumes geográficos. Resgatar as virtudes não de maneira catequética, mas, pautada na ‘tendência ao bem’ inata a todos.

Isso significa que a essência da moral, desenvolvida nas instâncias das virtudes esquecidas, precisa se fundir numa racionalidade que por si só tenha validade para todos, abstendo-se de estabelecê-lo por meio de crenças ou sentimentos que só fazem nos iludir, pois estão em um constante devir. Impor regras e leis é necessário para um contrato social mínimo, mas por si só, não constroem pessoas melhores. Aristóteles disse que, quando você quiser entender o que é um ser humano ético, pergunte a ele: Você está fazendo isso porque você acredita no que está fazendo? Ou é impelido a isso?

Esse resgate precisa se concretizar o quanto antes em prol da revolução humana em sociedade através de vivencias e práticas, começando nos lares e se solidificando nas escolas, onde as crianças terão seus primeiros contatos no que se refere à convivência em sociedade que não seja com parentes. O lar, sem sombras de dúvidas, é a primeira escola. A educação doméstica tem o poder de se fazer forte o cimento que alicerça o ser. É em casa, e com o exemplo dos pais, que a criança precisa ter seus primeiros contatos com a prática das virtudes já como projeto de prevenção aos vícios.

Nos currículos escolares, há de ter uma revisão pautada em objetivos de formação humana, educação emocional, filosofia, estímulo ao senso crítico, a juízos de valor e as virtudes. Práticas e exercícios de cidadania, aula sobre grandes personalidades históricas que desempenharam papel humano significativo, participação da escola em problemas comunitários, conscientização política e econômica de seu contexto e tempo histórico e a comparação com outros países, outros tempos. A vivência e o sentir durante essas práticas caritativas, moldam um novo modo de olhar o outro, de olhar o mundo, criando-se naturalmente durante o processo, uma série de normas embasadas num contexto humanitário de cooperação, aceitas de modo livre e consciente, as quais organizarão a conduta do ser humano na sociedade.

Cada indivíduo é resultado de sua relação com o outro, criando assim uma rede que constrói a sociedade como indivíduo coletivo, ao repassar a cultura. Somos aquilo que fazemos pelo outro e estamos impregnados com a troca que realizamos com o coletivo, e é exatamente essa troca a ser trabalhada, pois na ausência do outro, humano não se constrói humano, por sermos geneticamente sociais.

A espécie humana, é a menos pronta ao nascer, temos uma parte enorme do desenvolvimento aberto, a ser realizado, formado enquanto vivos, com um cérebro extremamente flexível e pronto para receber sementes, escrever sua microgênese e, ser feliz em sua plenitude humana quando em felicidade coletiva. A escola na contemporaneidade virou uma espécie de asilo infantil. O Estado coloca as crianças nas escolas para tirá-las das ruas, os pais mandam seus filhos para a escola para poderem trabalhar, ou, repassarem a responsabilidade do cuidar e educar para a instituição. Isolamos as crianças com o intuito de formá-las bons profissionais: “Você precisa estudar para ter um bom emprego e ser alguém na vida”. Retransmitimos conteúdos por repetição, obrigando o aluno a tirar nota boa na prova como sendo suficiente.

Esquecemos de que o ensino é mais do que a transmissão de conteúdos específicos, que ensinar determinadas disciplinas deve ser apenas a ‘desculpa’ para transmitir nossa herança cultural, e nessa herança há os itens: valores e humanidade, que foram arrancados do produto a ser entregue. Itens esses, principais e primordiais que nem se quer é trabalhado como conteúdo.

Deixo aqui para finalizar, uma consideração valorosa e poderosíssima de Oliveira que dá movimento a opinião aqui dada:

“… O teocentrismo medieval foi deixado de lado em detrimento de um antropocentrismo moderno, no entanto, como iremos adequar a educação à pós–modernidade? Marcada pela inexistência de paradigmas, nem Deus nem homem. A esperança na humanidade é quase nula. Se não iremos nos dedicar a desenvolver virtudes e nem fé qual será o objetivo da educação? […] (OLIVEIRA; 2008; pg1).

 

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