Uma briga, feia, violenta, demorada.

Suas forças já estão esgotando, tremendo, tudo dói e, como em um cabo de guerra, a faca está no seu pescoço. Você percebe que quer desistir, quer permitir que ela entre, está exausto. Aparece alguém:

“Tudo bem?” …

Mas, a expressão foi desconstruída, a pergunta é banal, desinteressada, preenchedora de linguiça, de conversa vazia, falta do que fazer… sei lá. Perguntam e mal esperam a resposta, e se esperam, passa despercebida, como faixa de pedestre. E mesmo querendo que alguém te veja ali no chão, que te ajude a retirar aquela faca da goela, a única coisa que sai é:

“Até to sim”, ou, “mais ou menos”. “E vc?”
“To bem tbm”.

A coversa finaliza.
As vidas continuam.
Cada um com a sua bula sem remédio, só tédio.
Visto minhas vidas e me faço Porto. De novo.
Volto para a briga que ninguém vê, atrás do farol.
Sinalizo no mudo.
Deixo pistas.
Faço caminho no chão com migalhas.
Escondo a verdadeira resposta nas sombras das palavras mal ditas e mal ouvidas.

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