Noite de minguar

Sou pedaço de minguante sem um céu ou véu, do meu quarto viro réu.

Dói minha cabeça enquanto a noite cresce e a lua em prece emagrece, e  ninguém agradece ou se despede.

Vou amarrar um pano na cabeça para ver se ela emudece.

Pano apertado para esmagar medos e pesos

Mas o minguante da lua e de mim são aberrações de ilusões, de nervos, de coisa louca varrida, pois minguar e encher é jogo da luz e do escuro, de nós no céu e no quarto mudos.

Queria escrever gemidos, lamber estrelas, beber minhas lágrimas para ver se economizo dor.

Não sirvo nem para contar carneiros enquanto finjo dormir para ver se durmo. Prefiro contar aranhas nas paredes, que assim como a vida, na luz ou no escuro, tecem emaranhados bonitos, mas emaranhados infinitos.

Não sei mais se quarto ou sepulcro, se durmo ou se morro. Diário é coisa de epitáfio mal resolvido, mal ouvido. Toda noite sou ruína, pedaço de minguante que quer apagar mas que as tantas estrelas não permitem o desligar.

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