Sempre me senti água, sou água, minha alma é água, sou mar.
Paradoxos do ser, pois nasci terra e não me canso da água em mim buscar,
Isso é deboche da vida, nos impondo signos a desvendar.
Descubro porém, que a água que persigo, é de fora que virá, para me complementar.
E é no calar, que caranguejo, vem do mar.
Vem viver em terra, em praia, trocando a água pelo ar.
Talvez querendo a terra encontrar, inundar.
E nesse encontro de terra e água, num eterno velejar,
Ele vem, de lado para não me assustar.
Trazendo em si a ancestralidade da vida, de toda a vida que dá água é nascida.
É passado que vem em memórias, para nos lembrar do amar.
É familiar, é coisa de casa, de casco, de caranguejo, do lar a desvendar.
Morar em si é vantajoso, mas poder morar em casco de outro é o mais alto grau do viver ao conviver, o auge, a culminância de um sol quando se encontra o mais afastado da terra e da água, na sua órbita de apogeu.
Escondo garras e rugido, abrando o fogo preocupada em não machucar, de leão a dócil felina agora sou eu.
Queimada pelo sol da vida de todos os dias, vem o caranguejo, me fazer sombra na terra seca, árida, oferece-me lago, água que alivia, refresca, transforma a minha dureza em afetividade e fecunda novos sentimentos e pensamentos.
É terra, ora seca, agora adubada com sabor de oceano, seguindo sóis em direção a aurora, no agora.

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